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Alfaiate – A profissão que atravessa os tempos

A palavra Alfaiate, assim conhecida na língua portuguesa, é derivada do árabe alkhayyát, do verbo kháta.
Entre as variações linguísticas dessa palavra são utilizadas as expressões:
• Tailor, na língua inglesa
• Tailleur, na França
• Sarto, na Itália
• Sastre, na Espanha (derivadas do latim sartor, sarcire, cujo significado é coser).

A profissão de um alfaiate vem de longe. Definida como uma das mais antigas do mundo, o termo em inglês tailor existe desde 1297. Nessa época a palavra definia a profissão como “cortador de tecidos”. Já a palavra em português vem do árabe alkhayyát, do verbo kháta que significa coser. De uma forma ou de outra, o papel do alfaiate como conhecemos agora surgiu junto com a tão falada Moda.

O Alfaiate (Il sarto em italiano) é um dos retratos mais conhecidos de Giovanni Battista Moroni. A obra de arte é uma pintura sobre tela, e mede 74 cm de largura x 97 cm de altura. Foi criado entre os anos 1565 e 1570. Atualmente está localizado na Galeria Nacional de Londres, no Reino Unido.

Durante a idade média, a roupa era considerada como um meio de ocultar o corpo. Mas com o Renascimento veio a acentuação da forma humana. O manto solto, aquele uniforme padrão do período medieval tão facilmente construído a partir de uma única peça ou dois de pano, foi encurtado e apertado, e eventualmente cortado. Cortado e costurado em tentativas de trazer proeminente os contornos da forma humana. Este foi o nascimento de costuras e, de fato, da moda.

Essas tentativas de reconstruir o corpo humano em tecido exigiam uma crescente habilidade especialista e divisão do trabalho. Foi aí que o papel do alfaiate cresceu nas sociedades.

Chegando o início das sociedades, o tecido que o homem estava vestindo definia o seu status social – os guarda- roupas dos burgueses faziam parte dos bens da família.

Era um luxo para poucos. E foi só depois do Renascimento, com uma preocupação maior em mostrar as formas do corpo, que o homem passou a dar valor tanto ao corte de uma roupa quanto ao tecido usado em sua construção. A partir daí, não era mais qualquer um que conseguiria confeccionar sua própria peça de roupa. Era preciso um estudo maior do corpo humano e mais de uma pessoa envolvida no processo. Foi aí que o papel do alfaiate cresceu nas sociedades – antes sua importância era a mesma que a de um tecelão.

O alfaiate precisava ter conhecimento de todo o processo de criação da roupa – mais ou menos o que esperamos de um estilista nos dias de hoje. Ele sabia quais ovelhas criar para conseguir a lã certa, direcionava o tecelão, sabia o valor que cada tecido tinha e entendia perfeitamente todas as proporções do corpo humano. Além disso, o alfaiate tinha contato direto com seus clientes e acabava fazendo parte de círculos sociais restritos e invejados por outros comerciantes. Acima de tudo, o alfaiate precisava saber ler, o que já o colocava em um patamar acima de outros comerciantes e o trazia mais perto da corte. Com isso, vinham grandes responsabilidades. Nesta época, o trabalho de um alfaiate não permitia erros. Se uma peça saísse errado o alfaiate tinha que pagar multas equivalentes a dez dias de trabalho, e a peça poderia ser confiscada.

A história do terno executivo moderno, traje oficial de estadistas e homens de negócios ocidentais,  teve como berço esplêndido, a Versailles de Luís XIV, o Rei Sol. E a França virou o centro da moda. Era lá que tudo acontecia. A corte representava as primeiras passarelas e, assim como o rei, a elite passou a ostentar toda a sua riqueza nas roupas que usavam. Brocados, dourado, bordados e pedrarias tomavam conta das vestimentas. Tudo que se vestia lá era copiado no resto do mundo.

Luís XIV e parte da sua corte. Quadro de Jean-Leon Gerôme, século 19

O ambiente era luxuoso e, não menos formal do que as salas de reunião de presidentes de grandes multinacionais. Foi lá, na morada real, em Versailles, onde habitavam cerca de 10 mil nobres que os alfaiates do Rei Sol – os melhores da Europa – tiveram a ideia de fazer a roupa básica do soberano, composta de casaca, colete e culotes, tudo no mesmo tecido. Três peças, daí a palavra “terno”.

O Terno

O terno esteve inicialmente relacionado ao ofício do alfaiate e à tradição da roupa feita sob medida, à qual era agregada um valor de luxo e requinte que ultrapassava o da boa aparência, valor este que se tornou o maior da cultura masculina contemporânea. Assim, mesmo com os avanços tecnológicos da indústria do vestuário o símbolo de boa aparência e elegância do terno masculino se mantêm no poder até os dias de hoje.

Outro dado importante sobre a permanência da alfaiataria vem da história do vestuário, cuja evolução tem sido entendida como um dueto entre o traje masculino e o feminino. A extensão de seu uso para as mulheres mostra uma trégua na relação dos papéis e traz à tona a grande discussão da androginia através da moda. A alfaiataria, usada pela mulher, é o grande marco da história do vestuário no séc. XX. Como roupa de mulher, o terno tailleur carrega consigo os mesmos valores de sensualidade e poder que estão neste traje como roupa masculina. E é esta a condição que mantém a alfaiataria no topo das questões históricas do vestuário.

Clássico tailleur da Chanel – o terno tailleur carrega consigo os mesmos valores de sensualidade e poder que estão neste traje como na roupa masculina

A profissão de alfaiate é das mais antigas do mundo. Desde os primórdios, no Egito, posteriormente na Grécia e Roma, durante a Idade Média e Renascença foi das mais importantes pela influência de seus exercentes no âmbito social dos que bem vestidos se apresentavam. A despeito da massificação existente em nossos dias, principalmente levando-se em conta a fabricação em série de roupas, continua essa operosa classe, alfaiates, a exercitar preponderante papel na sociedade.

 

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